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"ESTOU DECEPCIONADO COM A PM"

Embora a maioria dos policiais procurados pela reportagem tenha preferido o anonimato, surpreendeu o desabafo do soldado Hacenclever Alexandre Tavares Lopes, 34. Ele é um destes sobreviventes (da PM). Escapou por pouco da morte. O caso foi amplamente divulgado pela imprensa após ele e seu companheiro de farda, o também soldado Anderson de Araújo Cantalice, terem sido baleados na cidade de Baía Formosa.

O fato aconteceu no dia 11 de janeiro deste ano, no momento em que eles abordavam dois homens que estavam em atitude suspeita, supostamente planejando um assalto às agências dos Correios da cidade. Ambos foram socorridos, mas o soldado Cantalice não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital. Hacenclever teve melhor sorte e escapou mesmo sofrendo dois disparos à queima-roupa. Um tiro transfixou sua garganta e outro atingiu a barriga.

"Passei 12 dias internado. Depois disso me deram alta. E foi só. Prometeram acompanhamento médico, mas não deram nada. Auxílio saúde não existe para quem é ferido em serviço. Todo o medicamento eu tive que comprar do meu bolso", disse ele. "Também me prometeram bolsas de colostomia, mas nem isso. Depois de dois meses do ocorrido, mandaram uma para mim, mas mesmo assim não serviu, pois não tinha alça para prender. Um absurdo o descaso com o ser humano", indignou-se, reclamando de também não ter recebido assessoria jurídica. "Estou decepcionado com a PM", acrescentou o soldado.

Casado e pai de cinco filhos, Hacenclever mora atualmente na cidade de Nova Cruz. Tem dificuldades para falar e respirar. Sente dores constantes e precisa tomar vário medicamentos. Questionado se pretende desistir da carreira militar, o sobrevivente disse que só não o faz em consideração aos policiais que ajudaram a salvar sua vida. "Tive muito medo de morrer, mas sou um policial e amo que faço. Só não desisto de tudo por causa dos amigos que tenho na PM. Tive medo de morrer", finalizou.

Fonte: Anderson Barbosa, do Novo Jornal.

Comentários

  1. Se fosse o contrario e o meliante estivesse nesta situação, com certeza o estado estava tentando fazer com que o soldado cobrisse os gastos do elemente... situação revoltante esta sua meu camarada...

    Ass: PM revoltado!

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  2. Por essas e outras que eu faço o que me mandam e não procuro ocorrencia! central mandou fui! tem q fazer vista grossa mesmoooo!!! olha a vista grossa do estado pro praça ai!!!

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  3. Companheiros não se tratar de fazer vista grossa, é que realmente estamos sendo destratados e desconsiderados pelo Estado que exigem devoção nossa ao serviço, mas, não reconhecem o valor do policial. Temos a 1ª desconsideração de nossas vidas que está em combate nas ruas valerem menos de R$ 400,00 reais, enquanto que os que ficam por trás dos bureau valem R$ 1.000 reais; 2ª fazem uma tabela ridicula onde visam lograr autos valores enquanto que menosprezam os praças; 3ª se um praça comete algo ilicito, o expõem na mídia, divulgam sua qualificação e a exclusão social antes mesmos de serem julgados e condnados, no entanto se é oficial abafam, após alguns dias mudam seu nome de guerra e transferem de unidade, isto é injustiça e desconsideração para com os praças da corporação, daí, meu amigo a minha insatisfação, decepção e tristeza com a instituição.

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  4. "TODAS AS PROFISSÕES TÊM UM ESTIGMA"

    Esse é o título de um texto no qual expus minha trajetória como Policial Militar do RN por sete anos.

    Hoje estou na Polícia Civil e vejo que nada mudou, o descaso com os policiais, tanto militares quanto civis, está escancarado aos olhos de todos, estampado no semblante cansado de cada combatente. Hoje mesmo falei com um soldado do 9º BPM que caiu de moto e vai ter de fazer fisoterapia por mais de um ano. A instituição não moveu uma palha por ele até agora. Os colegas de sua unidade é que estão ajudando-o, desde o lado financeiro até promovendo seus deslocamentos para as sessões de fisioterapia. É duro ver os colegas assim, fico pensando que amanhã pode ser um amigo mais próximo ou mesmo eu, em tal situação. Quanto à assistência dada pelo Estado, a esta resevo a palavra mais utilizada em nosso jargão:

    ACABA!

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  5. "TODA PROFISSÃO TÊM UM ESTIGMA"

    Esse é o título de um texto no qual exponho minha trajetória como Policial Militar Potiguar, por sete anos, texto esse amplamente difundido no ciberespaço afora, devido à identificação dos colegas, com as situações expostas.

    Hoje, sou Escrivão da Polícia Civil do RN, e continuo a ver os colegas padecendo da mesma ausência de apoio do Estado, como ocorre com o colega HACENCLEVER.

    Como disse no texto, na hora do BÔNUS, esquecido; na hora do ÔNUS, convocado.

    Hoje mesmo falei com um colega do 9º BPM, que caiu de moto recentemente e terá de fazer fisioterapia por mais de um ano. Ninguém represenando a corporação sequer ligou para saber como o colega está. Todo o apoio recebido pelo mesmo até agora vem dos colegas da unidade em que serve, tanto financeiramente, quanto logisticamente, pois os colegas é que estão cuidando de seus deslocamentos para as sessões de fisioterapia, e isso, em suas folgas.

    Só podemos contar conosco mesmo, com aqueles que estão ali, juntos de nís no dia-a-dia, protegendo nosso flanco.

    Quanto à assistência dispensada pelo Estado, a esta fica reservado o jargão mais utilizado em nosso serviço:

    ACABA!

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